A Estrela das Tardes

No firmamento televisivo português, Ana Rita Clara cintila com luz própria e não se deixa o fuscar.
Porque não quer ser uma estrela cadente, a apresentadora que cedo se lançou ao universo da comunicação brilha agora nas tardes da SIC Mulher.

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Entrevista Ana Rita Clara

Os ingredientes são simples. O resultado, porém, cósmico. Uma estrela, para nascer, forma-se numa nuvem de poeira, hidrogénio e hélio, à qual se junta uma pitada de outros gases, num cozinhado sideral. Já o nascimento de um dos novos – embora, neste caso, experiente – astros da constelação SIC bem que se podia ter moldado numa nuvem de… farinha.
A verdade é que o universo mediático nunca foi um lugar estranho para Ana Rita Clara, nem mesmo quando a paixão pela arte de comunicar era ainda uma pequena centelha que se acendia a pouco e pouco. Tanto assim foi que aos seis anos era vê-la frente a tachos e panelas – como se de câmaras se tratasse – a ensaiar imitações da cozinheira Filipa Vacondeus nos seus célebres programas de culinária.
“Meus amigos, aqui temos o arroz, a canela e a farinha…”, ouvia-se na cozinha tornada estúdio imaginário, perante o riso embevecido da mais fiel das espectadoras, a mãe, em primeiríssimo lugar na plateia.

E porque tantas vezes a vida imita a arte, mas também se pode antecipar a ela, haveria de ser por via da cumplicidade materna – que a viu dar os primeiros passos em direção ao mundo do espetáculo, em São João da Madeira, a sua terra natal, onde se estreou na dança e na patinagem artística ainda pequena e, anos mais tarde, em alguns trabalhos pontuais de moda – que entraria no caminho da televisão portuguesa. A estreia, estudava ainda Sociologia das Organizações na Universidade do Minho, fê-la nos ecrãs da SIC Radical, graças à mãe, que, sempre atenta ao talento e às inclinações dos filhos, a inscreveu num casting de apresentadoras para o programa Curto Circuito. Ainda que não tenha sido a eleita para o lugar, o big bang da carreira de Ana Rita valeu-lhe posteriormente uma incursão a norte, na emissão da já extinta NTV, onde os astros se conjugaram para lhe dar a oportunidade de tomar a dianteira do programa XPTO, no qual foi apresentadora, repórter e produtora. Seguiu-se o programa Ultra Sons, já na então recém-nascida RTPN, que lhe permitiu vaguear pelo espaço musical, no qual
sempre se sentiu como em casa. “A música está sempre presente na minha vida”, assegura a dona do eclético iPod onde agora se ouve Hindi Zahra “em repeat” e nunca faltam David Bowie, Radiohead ou Vinícius de Moraes.

Após a explosão inicial, não mais se travou a expansão de Ana Rita Clara rumo à conquista da “caixinha mágica”. Um convite de Nuno Artur Silva, o patrão da Produções Fictícias, levou-a
desempenhar o papel de co-anfitriã numa gala do Inimigo Público. Daí pulou para a antena da SIC, onde integrou a equipa do programa com o mesmonome, lado a lado com Rui Unas e Joana Cruz.

A paragem seguinte fê-la com Êxtase, nas tardes de sábado, programa que conduziu partilhando o leme com caras conhecidas da estação de Carnaxide, como Liliana Campos ou Sofia
Cerveira. O tempo para brilhar chegou depois com 5 Estrelas, onde se rendeu ao prazer de construir e fazer entrevistas, mostrando o empenho em ser bem mais do que um rosto efémero de passagem pelo pequeno ecrã. “Estou aqui para construir uma carreira a longo prazo, pois não gosto de estrelas cadentes” afirmava, perentória, há um ano, em entrevista à revista Activa.
Não fugaz, mas assumidamente uma “comunicadora ágil”, Ana Rita orgulha-se de ser “capaz de dar a volta” a diferentes estilos e registos sem perder a sua “identidade”. Curiosamente, foi do passaporte, e não do bilhete de identidade, que precisou para se dedicar a um dos seus mais recentes projetos – outros, entretanto, se sucederam – que lhe alimentou a desmedida “paixão” pelas viagens. Em Boarding Pass, um magazine semanal que a fez percorrer 13 capitais europeias, perdeu-se de amores pelo “charme” de Paris e a “história” de Roma, no entanto é Nova Iorque que elege como a cidade à qual “regressa sempre”.
De regressos fez-se também a rentrée da apresentadora, colunista do jornal Metro e da revista Men’s Health e “essencialmente comunicadora”, com a reentrada em órbita, como anfitriã, do programa Mais Mulher, a aposta da estação para as tardes da SIC Mulher. Sentindo-se agora também “mais apresentadora” – ainda que “com muito para fazer e para crescer”, a menina-mulher do canal 6 do cabo garante que ser mais feminina não é sinónimo de “perder a força”, é “querer ter voz ativa, querer mudar o mundo à sua dimensão”. Enquanto não muda o mundo, Ana Rita Clara vai ainda pulando de universo em universo, com um pé na representação – o pequeno papel na novela Laços de Sangue, da SIC, é disso exemplo – e
outro na moda. Para além do seu estilo pessoal, “descontraído” mas elegante, trendy q. b. e com uma pitada de elementos vintage, é em produções fotográficas que se entrega ao gosto de “interpretar roupas e personagens”. Discreta, mas sempre cintilante.

Ana Rita Lúcio

Liliana Campos
 
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