Ganhou o concurso de Miss Teenager em 1996 e foi uma das concorrentes no Miss World em 1999.
Começou a carreira como modelo, mas, apesar de ter ganho visibilidade através da óbvia beleza, o reconhecimento e o prestígio que alcançou na área da representação têm mostrado que Andreia Dinis é mais do que uma cara bonita.
Entrevista Andreia Dinis
É engraçado pensar que, se não estivesse na televisão, estaria “em algo completamente diferente, em Medicina, que era o que estava a preparar-me para seguir quando estava no secundário”, revela, “mas não o fiz porque decidi optar pela via da Comunicação... Sem nenhuma explicação filosófica, são opções que se
fazem”. De facto, em 2000, Andreia Dinis licenciou--se em Ciências da Comunicação e da Cultura pela Universidade Lusófona, mas a peculiaridade da sua
entrada nas telenovelas e nas séries de televisão não surgiu como “opções que se fazem”, mas antes como imposições inesperadas que acabam por funcionar.
“Eu comecei como manequim, fazia muitos trabalhos de publicidade, e, nessa altura, em 2002, 2003, surgiu, através da NBP, um curso de formação para actores
designado Oficina de Actores e para o qual acabei por ir ao casting, não por muita vontade de entrar nesta área, mas impulsionada pela agência, que queria que
eu fizesse o curso para aumentar o currículo e potenciar mais trabalho”, confessa Andreia. “A partir daí, surgiu a primeira oportunidade no Saber Amar, entrei
em alguns episódios com uma personagem secundária, e, depois, a Baía das Mulheres, que foi o primeiro projecto que me deu verdadeira visibilidade
na representação porque foi a minha estreia num papel de relevo, principal, interpretei a anti-heroína da novela. Os Morangos com Açúcar e A Outra foram os últimos projectos que surgiram, mas, desde a Baía das Mulheres até agora, fiz umas quantas séries pelo caminho”, resume. Uma vicissitude que acabou por revelar-se ideal, pois agora é peremptória a assentir que faz o que gosta e que gosta do que faz. Aliás, uma afirmação que é bem notória na versatilidade dos seus
papéis e no seu já preenchido currículo apesar da sua relativamente recente entrada no mundo da ficção portuguesa.
Foi logo em 2003, depois do curso Oficina de Actores, que conseguiu agarrar o público em mais de vinte episódios da novela Saber Amar, onde representava
uma secundária Miriam, mas daí a passar para o elenco principal da televisão nacional foi uma questão de meses. Em 2004, surge a Baía das Mulheres e Andreia ganha relevo merecido como a anti-heroína da história. Um passo que a retirou para sempre dos elencos adicionais e que a actriz continua a recordar como o projecto mais marcante da sua carreira.(“Porque foi o meu primeiro papel de
relevo, mas não só, também me deu muito gozo fazer, porque interpretava uma vilã.
Era muito complexo, podia afastar-me totalmente daquilo que sou para dar vida à má da fita. Era o mais empolgante.”) Aliás, foi também o papel que lhe trouxe um episódio engraçado, um aspecto divertido da fama.“Ocorreu no Porto. Foi na altura em que estava a rodar a Baía das Mulheres e a minha personagem tinha ido para a Suíça fazer reabilitação, enfim, algum tratamento para a sua ‘maldade’ ou ‘vícios’, por assim dizer, e houve uma senhora idosa que me abordou na rua e com um ar sabichão me disse: ‘Com que então na Suíça...’ Achei piada que a senhora fosse tão seguidora da novela e tivesse interiorizado tanto a minha pessoa como aquela personagem que tivesse necessidade de fazer aquele comentário”, relembra.
Mas Andreia está bem distante da sua personagem de Baía das Mulheres e não é na Suíça que a encontramos facilmente, é à margem sul que chama casa e é
apologista fervorosa das vantagens de morar com vista para a capital. Passear na Baía do Seixal é um dos passatempos de eleição, porque “é muito calmo, bonito,
agradável de se estar e, na verdade, é engraçado como um local tão perto dos grandes centros urbanos tem o apelo e a beleza de uma pequenina cidade piscatória”, apregoa. E a praia. “Para mim, a praia é, sem dúvida,
a maior e mais óbvia vantagem de viver na margem sul. E não é uma vantagem só na altura de sol; mesmo quando o tempo não está famoso, gosto muito de dar
passeios à beira-mar.” Os pequenos prazeres da vida, na verdade, parecem ser o mote que poderíamos atribuir ao dia-a-dia da actriz: quando tem tempo livre,
confessa, gosta de ler (e é categórica na resposta).
“Não consigo apontar apenas um livro como preferido porque gosto de vários livros, mas acabei agora o segundo livro de Carlos Ruiz Zafón, O Jogo do Anjo.
Li primeiro A Sombra do Vento e adorei, por isso, não podia deixar de ler esta outra obra.” E, quando não está a gravar, gosta de fazer uma sessão de cinema em
casa na noite anterior porque gosta muito de películas e, como pode dormir um pouco mais no dia seguinte, aproveita para desfrutar destes simples passatempos.
“No outro dia, posso ficar a preguiçar na cama até mais tarde, por isso, aproveito para não acordar tão cedo. Depois, passeio, faço compras, leio um livro,
faço uma massagem... Enfim, acho que a palavra de ordem é ‘mimar-me’”, revela.
E mimar-se inclui também o deixar-se levar pelo prazer das compras. Frequentadora do Freeport, as suas lojas preferidas poderiam até ser as mesmas da personagem que interpreta em Morangos com Açúcar, a professora de ginástica Teresa Melo. “A Adidas, por causa da parafernália de peças e de colecções, tem tudo para
toda a gente: mulher, homem, criança... Sou frequentadora também da Pepe Jeans, e gosto sempre de dar uma espreitadela nas lojas de telecomunicações para ver as novidades e talvez encontrar algumas oportunidades.”
Gostos descontraídos para uma mulher do Seixal que aprecia o ar livre e o espaço que essa margem lhe
concedem – ou não fosse o andar de bicicleta junto ao mar um dos seus hobbies de eleição, segundo descobrimos.Porque desengane-se quem acredita que a fama que alcançou e a sofisticação que tem a tornaram uma fashion addict, pois Andreia é fiel ao estilo que mais se adequa aos seu dias mais descontraídos. “Sei
que o Freeport também tem lojas de criadores e sei que se encontram óptimas oportunidades, mas estas lojas [Adidas e Pepe Jeans] são mais ‘a minha praia’
e, por isso, são os meus destinos habituais.”
Gostos simples, mas nem por isso elementares, de quem aprecia as melhores coisas da vida, como o luxo de um
passeio à beira-mar, de uma tarde de compras ou algo tão básico como um prato tradicional num restaurante que não dispensa. “Sou suspeita nesta resposta, mas
há um restaurante familiar, muito típico, no Seixal, que faz umas amêijoas maravilhosas”, conta. “Chama-se O Trevo e tem um ambiente bem agradável, mas,
acima de tudo, acabou por tornar-se um local no meu guia pessoal pela proximidade e pelo à-vontade que tenho com os donos, quando preciso ou tenho tempo
durante as gravações para me deliciar com os seus pratos, posso ligar e encomendar... Esse tipo de relação próxima e esta simpatia não têm preço.”
Quem não a segue na televisão, decerto já se cruzou com ela nas inúmeras revistas por onde já passou –Vogue Sposa e In Style Italia incluídas entre as inúmeras
nacionais. Ou até já comprovou a sua inegável beleza ao vê-la a desfrutar do ambiente na Baía do Seixal. Mas, acima de tudo, consegue perceber, pelas suas respostas ponderadas, sinceridade nas declarações e à-vontade na representação, que o sucesso de Andreia Dinis vai bem mais além da sua aparência
física.