O regresso da atriz coragem

O show da vida dela
Do vício da televisão fez o ofício que a talhou para uma vida em direto. O fato de apresentadora colou-se-lhe à pele há 18 anos e é nele que Liliana Campos quer continuar. Sem cortes, mas com muita costura.

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Entrevista Liliana Campos

Andy Warhol previu, nos idos de 1968, que, no futuro, toda a gente seria famosa durante 15 minutos. Mas talvez só porque não conheceu Liliana Campos. Se pudesse ver hoje a anfitriã dos programas Totoloto e Etnias, nos ecrãs da SIC e da SIC Internacional, o pai da pop art mudaria provavelmente de ideias. E de contas. É que desde que o destino da "menina comunicativa", que, já em criança, conquistava todos pelo sorriso, se cruzou com o da televisão portuguesa, em 1993, os ponteiros do relógio da fama de Liliana nunca mais tiveram descanso. Dos 15 minutos já se fizeram 18 anos. E a contagem promete não ficar por aqui.

A viagem que a conduziu para a frente das câmaras da SIC – de onde não mais saiu – teve um começo inesperado. Podia dizer-se mesmo que ao acaso, não tivesse surgido de uma decisão (quase) judicial. Estava a meio do curso de Relações Internacionais quando aceitou o convite para substituir uma colega na assistência do êxito televisivo Juiz Decide. O programa estava a dar os primeiros passos e a carreira da jovem estudante, sem ainda o saber, também. "Mal me sentei no público, veio a produtora, Fátima Silva, perguntar-me se queria fazer um teste de imagem. Deram-me um texto para ler para a câmara e correu bem", garante. A trajetória ascendente não a deixa mentir: após algumas substituições na primeira série, a segunda série do Juiz Decide arrancou com Liliana Campos como protagonista, do outro lado… da balança.

Depois disso nunca mais parou. Mas o espírito viajante de Liliana veio-lhe do berço. Muito antes de chegar à caixa que mudou o mundo – e mudaria o dela. Do ponto de partida, em Sá da Bandeira (atual Lubango), Angola, pouco se lembra. Afinal, saíra de lá em 1974, com apenas três anos. Ficaram-lhe os relatos paternos. "De tanto os ouvir falar, fiz das palavras deles as minhas memórias", recorda. Cedo partiu também para a viagem pelo mundo da fama. Apesar de "não sonhar vir a fazer televisão", em pequena a apresentadora já montava os seus próprios espetáculos. "Contam-me que eu andava sempre com um microfone a fazer entrevistas. Mas o que queria mesmo era ser cantora, só para fazer telediscos", confessa, entre gargalhadas.

Fazer shows logo se tornou um hábito, mas um fast-forward no percurso de Liliana Campos leva-nos de volta a 1993, data de nascimento de "um amor enorme pela televisão". Amor esse que, na aventura televisiva seguinte, a fez re-encontrar-se com uma paixão antiga. À conta do programa Mundo VIP correu o mundo. Porém, não esquece a primeira viagem, aos 14 anos, a Paris, que permanece a sua cidade de eleição. "Se me perguntar agora para onde quero ir, respondo imediatamente: Paris." Mas para a encontrar o melhor mesmo é seguir o espetro das emissões. "Viciada", confessa, em televisão, Liliana mostra-se ainda uma espectadora atenta. Porque gosta "de ver as fichas técnicas", não há pormenor que lhe escape: "Às vezes pego no telefone, em casa, para avisar quem está em antena quando há erros nos oráculos", conta.

Apesar de uma vida inteira dedicada ao pequeno ecrã, o rosto de, entre outros, projetos tão distintos como A SIC no País do Natal, Animais de Quatro Patas, Êxtase ou Fama Show – mais recentemente – continua a descobrir coisas. Em 2005, ao leme do seu primeiro programa a solo, redescobriu outra paixão perdida no tempo. Em Corte i Costura, falar de moda foi figurino talhado à medida de quem, "em miúda, gastava a semanada a comprar revistas femininas". Três anos mais tarde, Liliana, que se assume "vaidosa desde pequenina", mas não fashion victim, o palco do programa Fashion Advisor, passado no Freeport, permitiu-lhe acompanhar a transformação de espectadoras e desvendar "pequenos tesouros" que ainda hoje fazem brilhar o seu guarda-roupa.

E se em Corte i Costura as conversas com os convidados se alinhavam em torno do mote "todos nós temos a nossa moda", a moda de Liliana não dá ponto sem elegância. "Sempre atenta às tendências de cada estação", não as segue indiscriminadamente. "Apaixonadíssima por sapatos", gosta de conjugá-los com umas boas calças de ganga, uma camisa branca, um blusão ou um bom casaco, uns calções ou um vestido preto ou branco. As cores terra dão o tom, num quadro de conforto refinado. Presença pública oblige. "Há dias em que gosto de me vestir de um modo muito prático, mas sempre um prático elegante e com vaidade."

Aos 40 anos, continua a gostar que a "mimem" e o julgamento do tempo não lhe podia ser mais favorável. Talvez por isso até goste mais de si agora "do que quando tinha 20 anos". No aniversário, em abril, recebeu uma mensagem de um amigo que sentenciava: "A melhor fase da tua vida começa agora." E ela não duvida. "Ainda tenho tantos sonhos por realizar! A nível profissional, acredito que irão surgir novos projetos, porque mais do que nunca sinto-me preparada para eles." Liliana decidiu, está decidido.

Liliana Campos
 
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